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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Que futuro temos nós?

Bem, faltam-me apenas 2 meses para acabar as minhas "conversas" sweet spark e até lá queria dizer tudo o que penso, por vezes a vontade seria dar nomes concretos às coisas, mas a realidade por vezes assim não permite. No entando veladamente vou dizendo algumas coisas, quem me rodeia percebe o que digo e é isso que me importa. Daqui a alguns anos existirão vários textos meus, vão manter vivas as minhas opiniões, pelo menos as que tenho precisamente agora.
Começo o dia com bastante dificuldade em acordar, não sou daquelas pessoas que acorda às 7 horas com a melhor disposição do mundo, mas em pouco tempo o meu humor melhora e depois acaba por ficar recuperado.
Crianças na escola, e depois pequeno almoço, mais ou menos tranquilo....e o que faço é dar uma vista de olhos pelos jornais. Tento não ler as más notícias, por isso é raro ler algum jornal hoje em dia....mas hoje levei um muro no estômago!
Em 2007 fica aprovada uma "lei" que legaliza o aborto consentido até às 10 semanas de gestação. Na altura do referendo votei não em plena consciência de saber o que é legalizar algo. É de facto permitir a torto e direito um facto.
Os dados fornecidos na informação fizeram-me chorar. Não imaginava nos meus mais terríveis pesadelos que os números seriam tão elevados. Sabia que seria um fartote, mas tanto...
Ora aqui ficam os números, para que daqui a alguns anos não nos esqueçamos deles:
19436 interrupções de gravidez; 18911 por opção da mulher....depreendo que os restantes 525 casos tenham sido casos em que não existiria alternativa médica para a normal evolução da gravidez.
São maioritáriamente mulheres entre os 20 e 34 anos sendo que 101 casos são de raparigas com idade inferior a 15 anos.
Até aqui eram os números que me assustavam, depois...bem.
Do total de IVG praticadas em 2010, 5861 foram praticadas na famosa clinica dos arcos. Outros tantos em outras clinicas particulares.
Foram encaminhados para esta clinica 4383 casos pelo nosso querido SNS. Sendo que pagam por cada IGV 500€ totaliza quase 2,2 milhões de euros.
Fica então a dúvida a quem o nosso sistema pretende defender, ou trata-se de um mero negócio?
Para os tratamentos de infertilidade não existem verbas, será necessário um referendo para legalizar uma lei de legalização de tratamentos de fertilidade????
Ora se essa verba dispendida em acabar com vidas humanas fosse aplicada nas vidas dessas mães que por vezes se encontram em situações de miséria e não têm outra alternativa, por mães que foram abandonadas pelo companheiro, pela familia, pela sociedade em geral, mães que poderiam ser boas mães. Enfim transformar-lhes a vida, dar um pequeno empurrão! Tenho a certeza que muitas vidas, as das crianças e das suas próprias mães iriam mudar e para melhor.
Mas tristemente vivemos ainda numa sociedade que penaliza a mãe, a sua condição.
Por que raio tem uma mulher de ser mãe, trabalhar pelo menos 8 horas, cozinhar, limpar a casa, tratar dos filhos, carregar 9 meses um ser , sempre a trabalhar, deitar-se cansada e ainda ter de aturar o marido?
Onde está a igualdade?
A minha esperança é verificar que existem muitas excepções, sou uma delas, mas com muito esforço consegui isso, o direito de não ter de trabalhar 8 horar se não conseguir ( tudo bem que em outros dias as 8 horas são 12, 13, 14, 15..., mas outros podem ser 4 ou nenhuma...), não me sinto obrigada a cozinhar ( a verdade é que posso ter jeito para muita coisa mas cozinhar não é um dote meu...sopa, salada, enfim morriam à fome), não me sinto obrigada a limpar a casa, faço porque quero, como quero, quando quero, trato dos filhos com o maior gosto, mas dividimos essa tarefa muito bem, deito-me cansada e sou respeitada, e só aturo o meu marido quando quero, e vice-versa. Aturamo-nos muito bem, juntos na vida 1/2 da nossa existência, é quase como se fossemos 1 só pessoa. Assim é carrega ele o peso a mais que eu carrego a menos, em tudo.
O outro aspecto, carregar uma criança 9 meses é realmente o que me atormenta...não foi fácil o período de gravidez, e em perspectiva futura, também não será. É um período de análises constantes, de exames, de tormentas, de verdadeiro pânico, no dia D tudo corre bem e é um alívio ver a perfeição e o milagre nas mãos!
Tenho de admitir, não sou uma daquelas grávidas que tem gosto em mostrar a barriga, a maminhas a rebentar, com enjoos constantes, pernas inchadas. O meu corpo não aguenta muito bem essa tarefa, mas ainda assim consegui ter as duas luzes da minha vida....só espero mesmo a terceira.....e espero....
Bem, continuando a parte das gravidezes que foram interrompidas em 2010, constatei que 1628 foram na minha querida MAC, e outras 1696 em mais duas maternidades do país.
Bolas! Não são maternidades?????É suposto nascerem aí crianças, não o contrário! Mais um murro!
Depois segue-se mais uma pérola: 251 mulheres interromperam a gravidez mais do que 3 vezes e destas , 4 interromperam 10 vezes! O que penso é que estas mulheres têm graves problemas de fertilidade....fertilidade a mais, mas para isso há remédio....talvez um remédio mais barato e duradouro do que o método contraceptivo que nelas não funciona...laqueação de trompas. Não precisam delas mesmo!
Segue-se então o pensamento dos direitos do ser humano. Ora se um ser humano tem direito à vida, esse bebé tem também (sim não me digam que com 10 semanas não é ser humano! Eu vi os meus bebés com 10 semanas e via-se tudo, principalmente uma pequena bolinha a pulsar....o coração!) E como bombava o coração! Chorei a rir e a rir chorei....parecia um cavalo de corrida em plena competição, algo mais lindo e fantástico neste mundo!
Agora se falarmos, ai não podemos laquear as trompinhas desmedidas dessas mulheres que tornam o aborto num método contraceptivo, porque vai contra os direitos do ser humano. Que hipocrisia! É mais fácil assim certo, e rentável para alguns também claro!
Pena tenho das mulheres que o fazem sem verem alternativa, sem lhes ser dada a oportunidade de terem os eu filho nos braços, sem serem assim protegidas, elas e as crianças. Crianças essas que nos farão muita falta no futuro próximo, a nós e ao nosso país.
Não me alongo mais na minha opinião. É apenas esta!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Vender ou não vender?

Embora compreenda que a situação actual não está fácil e que todos temos de fazer por nós e pelos nossos, faz-me ainda uma certa confusão o desapego que as pessoas têm pelos trabalhos que fazem....falo em particular de trabalhos "handmade craft".
Todos os dias faço uma peça diferente, ou parecida com outra anterior mas com alguma inovação para assim tentar superar as minhas capacidades. É muito difícil para mim vender uma peça produzida pelas minhas mãos...raramente o faço, prefiro que me façam uma encomenda mais ao jeito de quem a vai receber, que não me pertença de alma....
Mas vejo que por motivos alheios uns e outros fazem peças de qualidade duvidosa, pelo menos ao meu critico olhar, e espalham a sua venda pelas mais diversas redes sociais. Será que sentem realmente o que fazem? O que depositam nesse objecto transformado? Nada talvez, ou assim como assim uma forma de ganhar o precioso que lhes falta.
Muitas destas pessoas não têm verdadeira falta de valores na sua carteira, nem o fazem para alimentar as barrigas dos seus....fazem por fazer, tentativas de saliências neste tipo de "mercado" que apenas precisa de um pouco mais de paixão.
Pois é isso que falta em geral aos comuns....paixão pelo que fazem, apego aos seus bens....materiais mas fundamentalmente morais.
Chega o tempo em que tudo se vende, alma, corpo, e a própria vida. É pena que assim seja, mas isto tudo me faz pareçer que estamos próximos de ditos países do terceiro mundo.....Será?

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Terapia das Malas no Aeroporto.......

Ontem, finalmente, comecei a perceber um pouco porque motivo gosto tanto de malas.....
Nunca me tinha ocorrido pensar desta forma e por isso é importante tentar ver as coisas pelos olhos de quem está de fora. Assim foi um esclarecimento relativamente a situações que surgiram e continuam a surgir na minha vida....provavelmente serei sempre assim, mas penso que talvez possa mudar um pouco ainda essa condição. Para meu bem e primeiro lugar e assim para o bem dos que verdadeiramente me amam....
Tal como quem me explicou o que se passava a realidade é que carrego malas, malas, muitas malas.....malas essas que não são minhas. Pois é bem verdade que o faço, fiz e farei....mas a minha mala é bem grande e é essa que tenho então de carregar.
Tenho tido de facto, nos últimos 15 anos uma grande ajuda nesse grande fardo que se transformou a minha mala, mas a verdade é que em apenas 2 anos ( os últimos) peguei numa série de outras malas que não as minhas.
O conselho foi largá-las. Mas não é fácil pois habituei-me a carregá-las e é muito difícil deixá-las assim de um momento para o outro. Tenho, porém de o fazer e com a máxima urgência e deixar a minha, tratá-la e aliviar um pouco do seu peso.
Existe muito ainda por perceber, como fazer, como largar sem deixar de sentir remorsos, sem me preocupar, sem sequer olhar para trás.
Muitas pessoas que surgiram na minha vida, nos últimos 2 anos em particular, ensináram-me já muito que não tinha aprendido, na vida cor de rosa imaginária. Umas mostraram o lado bom do ser humano mas outras mostraram o verdadeiro inferno, o egoismo e a ignorância.
Quero guardar em mim só as que me fizéram acreditar que existem pessoas com integridade, com princípios e honestidade. Farei e deixarei todas as outras juntas às suas malas e no aeroporto. Não as trarei de volta, nem carregarei mais as suas malas ....não são minhas mesmo!
Sempre gostei muito de dar, dar coisinhas, dar carinho, dar afecto, dar tempo, dar o que tinha e o que não tinha. Nunca esperei nada em troca, dou para me sentir bem, mas aprendi que não devo dar a todos, só a alguns.
Sinceramente não descobri ainda se esses alguns são os que penso dever ser, mas saberei mais tarde ou mais cedo.
Até lá prometo que pelo menos não pegarei em mais nenhuma mala alheia!!!! Para ti também Ana....

domingo, 27 de março de 2011

Life changes

Parece então que vivemos tempos de mudança, ou talvez até nem tanto....pequenas alterações ou meros ajustes. Positivo ou negativo só mesmo o sábio tempo o dirá.
Mas estou realmente ansiosa com essa perspectiva, afinal parar é morrer e isso é coisa que quem por aqui anda não quer tão cedo.
As alterações dão-se em todo o lado a todo o momento, ora estamos de acordo, ora em desacordo, ora felizes ora tristes, ora amigos ora inimigos. Vida esta...quem entende mesmo o ser humano?
Por mim as coisas vão passando, sem me fazerem real pânico, e cada vez menos o fazem. Se outrora ficava incomodada agora fico impávida....não me interessa mesmo nada, quero dizer, sou completamente imune às opiniões, essas que cada um tem e que a cada um diz respeito.
Poucos, agora, me dizem algo, muito poucos e cada vez menos. Não gosto deste sentimento, e sim tê-lo perturba-me. Será que fiquei insensível? Bolas...a menina que dispara lágrimas à primeira, agora tem de descascar a própria cebola para o fazer.
Esta dureza não me agrada e não faz parte de mim, mas será que serei para o resto da minha vida assim?
Choro por quem me ama, não mais por quem gostaria de amar. Não preciso de fingir aquilo que não sinto, não sou atriz e por isso não sou paga para o fazer.
Disseram-me há pouco tempo que deveria dizer exactamente o que penso a quem de direito, faço isso, não dói, mas só o faço a quem mereçe um pouco de mim. A mais ninguém.

terça-feira, 1 de março de 2011

Life is just a game...

O entendimento de agora dita-me algo que não é fácil explicar. Sentir também não, mas isso não interessa a ninguém.
Chega um ponto da vida, que por qualquer motivo, por mais insignificante que possa parecer aos olhos alheios, uma situação ou palavra é aguçada como uma faca. Cabe a cada um desviá-la de forma a não ser fatal, mas nem sempre temos a desenvoltura de o fazer de forma rápida.
Então, a determinada altura desistimos de nos defendermos e aceitamos essas maléficas investidas até de bom grado...Gosto realmente de ver que existem pessoas, mesmo fracassadas e sem nenhum objectivo e propósito na vida, continuarem a sorrir como se tudo fosse assim magnífico e brilhante.
Para mim o brilhante torna-se baço a cada dia que passa, e o sol já não brilha da mesma forma.
Sorte a dos ignorantes, dos que não pensam e dos que só se conseguem ver a si próprios. Continuam o seu caminho, sem olhar para o lado, sem reflectir nos perigos e sobretudo sem terem medo. Burros? Nem pensar! Muito inteligentes até!
Penso muitas vezes que a maioria dos escritores, sejam portugueses ou não, viveram uma vida de reflecção, de pensamentos profundos, dificeis de exprimir em parcas palavras. Muitas vezes considerados loucos ou mentalmente incapazes, acabaram tristemente as suas vidas. Muitos optaram até por decidir por termo à mesma.
Penso sempre que a vida é o melhor bem e é tudo o que importa mesmo, sou terminantemente contra o aborto, eutanásia e para mim basta um coração bater para que essa vida exista.
No entanto, por vezes a estrada que precorremos surge-nos com algum nevoeiro, nevoeiro esse que nos turva a vista e distorce a realidade. Surge em consequência o medo, a angústia, a revolta e a vontade de assim parar. Sempre considerei que alguém que decide por termo à sua vida não toma um acto corajoso, mas sim de cobardia. Mudei de opinião. É um acto de profundo desespero, de quem já não vê a vida numa outra perspectiva, de quem deixou de acreditar na vida como era até então.
Vivi de perto, embora fosse pequena, uma situação dessas, nunca a compreendi até à pouco tempo. Agora sim, entendo. O passar dos anos e o caminho que se precorre fazem-nos ver coisas que de outra forma não conseguiamos. ....Mas também nos rouba a magia da beleza da vida...
Digo muitas vezes que adoraria nunca deixar de ser criança, mas é impossivel.
Por isso Game Over....

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Mãe

Surgem agora à minha volta uma quantidade de futuras mamãs que já se encontram com barriguinhas bastante proeminentes, prestes mesmo a dar à luz um novo ser, o que é maravilhoso pela magia de todo o processo mas também pelo nosso pequeno país envelhecido. Fico muito contente !
Mas a estória que hoje conto não é assim tão bonita e maravilhosa, é porém um outro lado da questão do amor entre mãe e filho, uma estória de um homem que perto do fim da sua vida escreve à sua mãe...traduzindo será mais ou menos assim:
«Mãe, agora que repouso, penso de novo no que me atormentou durante toda a minha vida...assim como pensei todos os dias que vivi e sozinho chorei...
Amaste-me de uma forma estranha, que nunca consegui compreender com a clareza necessária, mas Mãe não gostei do que senti.
Assim que nasci o teu primeiro acto de amor foi tentar contra a minha vida. Apertaste o meu pequeno e frágil pescoço na tentativa frustrada de acabar com algo que te traria sofrimento e prisão. Mas sei lá porque razão vivi, mas nunca mais suportei que alguém me tocasse no pescoço, mesmo que carinhosamente tentasse. Obrigado por isso, senti bem!
Depois do teu grande acto de amor deixaste-me, abandonaste à sorte que a vida me traria. Obrigado uma vez mais pelo teu acto generoso de bom coração!
O abandono foi até o melhor que conseguiste fazer, mais não te ditava a alma e esse sentimento de ódio que tinhas por mim.
Vivi toda a minha vida na esperança frustrada de te encontrar; sabia que tiveras mais filhos, ou seja que teria assim irmãos. Nunca os conheci, mas sempre os senti perto.
Agora questiono ainda porquê eu ? Não eles, eu....eu . Bolas como os queria conhecer, ter brincado com eles...Obrigado também por me teres escolhido a mim para ficar longe....
Vivi para os meus filhos, para os corações que me acolheram no regaço, e amaram sempre, mas não te conheci...
Quebrei esse ódio de mãe para filho, amando os meus mais do que a mim mesmo, acima de qualquer circunstância, e fi-lo sem pensar, com o coração apenas senti ser assim que se ama um filho, não sei se é, mas penso que sim. Afinal não conheço o que é receber o amor de mãe....
Mas ainda assim, após tantos anos de sofrimento, de buscas pelo amor perdido, da procura por alguém que não sa sabe existir, gostava de te encontrar. Não temos tempo agora eu sei, mas tivémos muito, muito tempo Mãe. Desejo encontar-te sim, nem que seja apenas para retribuir o teu grande gesto de amor, o primeiro que conheço e que recebi assim que nasci, uma esganadela no pescoço....ou talvez não. Mas Mãe, amo-te»

Bem, posto isto não há muito a dizer, apenas reflectir que nem sempre existe o Laço que une dois seres do mesmo sangue, o que é pena, mas acontece e esta estória acaba por ser familiar...

Help!?

Ao longo da minha curta vida neste planeta, deparei-me com os mais diversos tipos de pessoas ( e certamente ainda desconheço alguns...). Pessoas essas que se cruzáram no meu caminho, ou eu no delas, dependendo da perspectiva, de forma natural outras nem tanto...
Poucas permanecem no meu presente pelos mais diversos motivos, mas as que permanecem são as que realmente me importam, que têm significado na minha e para a minha existência.
Aprendi bem cedo, que qualquer ser humano é capaz de fazer tudo, tudo mesmo...e todos nós não podemos afirmar com certeza que não faremos ou tomaremos determinada atitude ou reacção.
Aprendi que a única forma de se sobreviver neste mundo é sendo amado, tendo essa premissa como garantida dá-nos força e estabilidade. Vejo esse amor apoiar muitas vidas e presencio diversas vezes ao resultado que daí advem. É sempre bom...
Mas a par de toda a generosidade e da capaciadade que o ser humano tem de amar, também facilmente repudia esse mesmo amor, através da ingratidão, da incapacidade de perceber que alguém esteve a seu lado, e do seu grande orgulho.
É isso, descobri que o homem é o ser mais orgulhoso que possa existir e talvez seja isso que nos distingue dos nossos queridos animais...não acredito que estes não desenvolvam sentimentos idênticos ao amor.
O homem guarda o orgulho na sua barriga e é esse mesmo orgulho que o alimenta diáriamente. Não é bom, não é saudável e acima de tudo é algo mortifero, para si e para os que o rodeiam.
Nos últimos anos, ajudei de diversas formas muitas pessoas. Monetáriamente (a mais fácil), emocinalmente e claro escutando, ouvindo, trabalhando, auxiliando, tranquilizando, sem receber nada, nada mesmo em troca.
Aos meus ouvidos chegaram palavras de quem realmente precisava de ajuda e de quem pura e simplesmente pretendia tirar algum partido da minha boa vontade.
Facilmente me comovo com estórias dramáticas, que envolvem sentimentos, perdas....oiço, ajudo, dou tudo o que tenho e faço o ímpossivel para dar o que não tenho.
Depois, mais tarde, chego sempre à mesma conclusão; não vale a pena...
Esse necessitado ( o que precisa de ajuda) nem sempre precisa dela, só pretende mesmo atenção, projecção e oportunidades, mais nada. Senta-se à mesa, chora, come, leva ainda as sobras para casa, suja tudo à volta e depois no dia seguinte cospe no pratinho que no dia anterior o alimentou...pois são assim algumas senhoras de hoje em dia(não todas, para nosso bem!), já lhes falta a delicadeza de outrora, de quando nem direitos tinham....(por bem hoje temos alguns...)
Todos estes factos são realmente uma pena de acontecerem...tornaram-me numa pessoa mais dura, insensível e desconfiada, com pouca capacidade de audição, se é que me entendem...mas não seremos todos assim? Adultos egocêntricos, egoístas, inflexiveis? Gente crescida.....(de corpo, claro!)
Hoje só dou atenção a quem quero e não a quem acho que precisa, pois sei que estarei de novo a cair na mesma conversa do coitadinho e desgraçadinho que não tem dinheiro para se divertir...ops...para comer.
Dói-me ser assim, mas talvez me passe um dia, quem sabe se não serei também um caso de sucesso prodigioso e nada disto me afecte, sim porque se formos ver bem as coisas o que dirá o nosso querido Cristiano e outros assim, quando têm bandos de ....a picar no seu bolo pelo qual arduamente trabalham. Deve doer-lhe também ser imune a tudo isso mas é para essas situações que são criadas as vacinas, e por isso mesmo posso dizer que fiquei vacinada.
Chegou a hora de procurar as raízes, daqueles que estiveram e conviveram comigo mal sabiamos falar, sabemos assim que procuramos não só a infância como principalmente a sua inocência e graciosidade. O resgate desses tempos outrora vividos é deveras fantástico e relembra tudo o que se viveu, de bom e menos bom. Lembra as amiguinhas, os colegas, os professores, a simplicidade da vida e os medos próprios da infância. Na altura esses medos não sabiam bem, agora quase não nos lembramos deles. É sempre assim...esquecemos a parte menos boa da vida e é isso que nos permite seguir caminho, ou pura e simplesmente parar, que é sempre uma opção válida.
Ainda assim deixo um beijinho a quem mereçe (as fofinhas)e sabe disso...